Maria do Rosário Pedreira no seu blog «Horas Extraordinárias» contou hoje a seguinte história, que Leu no suplemento «Babelia» do El País, sobre uma recensão a um livro de memórias de Bennett Cerf publicado agora em Espanha:

Cerf contratou um jovem editor muito competente para trabalhar a parte final de um dos romances de Faulkner e este ficou incrivelmente satisfeito com o trabalho realizado. Mas, quando Cerf lhe perguntou se o dissera ao jovem, Faulkner respondeu apenas: «Quando tenho um cavalo que está a correr bem, não o detenho para lhe dar mais açúcar…»

De facto, o intento lá terá o seu sentido.

Como tudo o que importa, depende de sorte e da presença de vazios a continuidade do sucesso. Vazios que se descobrem e se preenchem. Já a sorte é muita conjectura feliz e puro mistério, logo insondável. Depois há essa necessidade de frear palavras de agrado, como se perigosas, como açúcar ofertado ao diabético.

Que ensinamento atirou este grande escritor (e caçador) que, conhecendo o poder insondável da presença da palavra e do vazio, opta pelo silêncio para que a sorte continue a atingir o jovem editor.