Chegou a primavera e com ela a doçura da existência, sei lá quem sou ou o que quero, só sei que detesto não saber quem fui noutras vidas ou o que serei no futuro, só sei que existo agora e comigo o planeta, o sol, a lua e as extraterrestres. Vou contar-vos, era uma vez uma luzinha numa constelação longínqua, a olho nu parecia um círio mas era um planeta, pátria de indecifráveis seres, depois quando visto ao perto parecia mais um enxame de abelhas, mas não, era uma coruja que levava esses seres em voos nocturnos, foi quando tudo começou. Lá na constelação longínqua tudo era inquietação, até que um papagaio disse: «é hora de sairmos daqui, vamos voar para o planeta terra». E assim foi, ao chegarem cá, extraterrestres que eram, prometeram disfarçar-se para não assustarem os terráqueos, então escolheram tomar a forma de humanos ou melhor de humanas lindas de morrer, que os ets têm bom gosto para fisionomias. E foi assim que surgiram as mulheres.