Era sábado. O dia começara com pouco interesse, Luísa acordou e naquele dia viu-se sem nada de interessante para ocupar o tempo. Estava habituada à agitação, à casa sempre cheia de familiares e amigos, mas naquele sábado, sozinha em casa, existia um silêncio que penetrava dentro dela e a inquietava.

Os irmãos e a madrasta tinham saído e o seu pai fora trabalhar, só ficara ela porque preferiu dormir até mais tarde, do que passar horas andando nos corredores de um centro comercial. Só não estava habituada àquele silêncio. Existia nele algo que a perturbava e a deixava ansiosa… Decidiu averiguar o que era: sentou-se à beira da cama e tentou observar ao certo quais os efeitos que o silêncio lhe provocava; colocou as mãos no coração e deixou que a sua atenção investigasse melhor. Num ápice, apareceu uma luz: um clarão enorme! Ela assustou-se e, como estava sozinha, o medo tomou conta dela: correu para a rua e foi brincar com os meninos para tentar esquecer o acontecido.

Luísa tem dez anos, mas eu sei que, num futuro próximo, ela vai tentar novamente averiguar o que o silêncio lhe provoca.