O mar exasperava; a vaga teimava em tomar de assalto a colina mais alta da falésia. Cá do alto, o guerreiro olhava aquele espectáculo e zzzzz – um tremor – entrara em contacto com o mundo invisível! Por detrás dos seus óculos escuros, os olhos agora viam o que mais ninguém vê, simplesmente porque as pessoas se esqueceram de praticar as suas faculdades.
O guerreiro deu um salto, rodopiou no ar e, desembainhando a sua espada, cortou o céu com um golpe certeiro; ao cair no chão fica prostrado e reza pela cura do mundo.
Da ferida feita pela sua espada, no céu azul, caiem gotas de sangue que tocam a terra. O guerreiro chora, também as suas lágrimas se diluem com o sangue do céu.
O guerreiro levanta-se, ergue a sua espada ao alto e com um grito atira-a pela falésia – ouve-se o som da espada a bater nas rochas – depois com o mesmo género de tremor, regressa ao mundo visível.
Fica a olhar ao seu redor e constata que o mundo está diferente – sorri.
A sua espada está agora no fundo do mar e ele caminha, pela Terra, sem protecção. Pela primeira vez, desde há muito tempo, sente-se indefeso. Irá agora encontrar-se com o inimigo e a sua espada não poderá impedir o golpe do adversário.
O guerreiro sente medo, mas corajosamente segue para o local do combate. Sabe que o sangue do céu e as suas lágrimas uniram-se à sua espada no mundo invisível, e zelam pela sua segurança.
Por fim, o guerreiro enfrenta o inimigo, vencendo-o pela humildade.
1 Comentário
Maio 16, 2007 ás 5:27 pm
Um verdadeiro guerreiro é aquele que vence o medo através da sua humildade.

Uma boa dedicatória de certeza feita a quem merece.
beijinho