António Gedeão é o pseudónimo literário do cientista Rómulo de Carvalho, homem que soube explicar os mistérios da ciência a várias gerações de pessoas comuns.
Para mim, ele até foi mais do que isso, foi um profissional corajoso que teve o predicado de aplicar – ao ensino da ciência - a arte da poesia e fez desse ensino o poema da sua vida. Por isso o admiro, por ter sido uma pessoa capaz, num mundo onde a incapacidade é o trilho das pessoas banais.
Amador sem coisa amada
Resolvi andar na rua
com os olhos postos no chão.
Quem me quiser que me chame
ou que me toque com a mão.
Quando a angústia embaciar
de tédio os olhos vidrados,
olharei para os prédios altos,
para as telhas dos telhados.
Amador sem coisa amada,
aprendiz colegial.
Sou amador da existência,
não chego a profissional.
António Gedeão
2 Comentários
Novembro 20, 2006 ás 12:44 pm
e tens toda a razão… existe mesmo algo na “alma portuguesa” que faz que sejamos todos poetas (bons e maus!!!) será a matriz trovadoira, partilhada com galegos e provençais? Será o espírito lírico romano?
não sei o que seja!
mas que todos somos uma espécie qualquer de poetas…
isso somos!
Novembro 22, 2006 ás 2:55 pm
a nossa alma é assim… ao nível da poesia. E que grandes poetas nascem no berço de Portugal. Uns escrevem os versos e outros leem e publicam!…
jinhos