Novembro 20, 2006...10:38 am

Portugal, país de poetas II

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António Gedeão é o pseudónimo literário do cientista Rómulo de Carvalho, homem que soube explicar os mistérios da ciência a várias gerações de pessoas comuns.

Para mim, ele até foi mais do que isso, foi um profissional corajoso que teve o predicado de aplicar – ao ensino da ciência - a arte da poesia e fez desse ensino o poema da sua vida. Por isso o admiro, por ter sido uma pessoa capaz, num mundo onde a incapacidade é o trilho das pessoas banais.

Amador sem coisa amada

Resolvi andar na rua
com os olhos postos no chão.
Quem me quiser que me chame
ou que me toque com a mão.

Quando a angústia embaciar
de tédio os olhos vidrados,
olharei para os prédios altos,
para as telhas dos telhados.

Amador sem coisa amada,
aprendiz colegial.
Sou amador da existência,
não chego a profissional.

António Gedeão

2 Comentários

  • e tens toda a razão… existe mesmo algo na “alma portuguesa” que faz que sejamos todos poetas (bons e maus!!!) será a matriz trovadoira, partilhada com galegos e provençais? Será o espírito lírico romano?

    não sei o que seja!

    mas que todos somos uma espécie qualquer de poetas…

    isso somos!

  • a nossa alma é assim… ao nível da poesia. E que grandes poetas nascem no berço de Portugal. Uns escrevem os versos e outros leem e publicam!…
    jinhos


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