Um pardalinho voava sem rumo certo; sem nada que o fixasse a um determinado sítio, sentia-se livre para voar para onde bem quisesse. Ao sobrevoar o castelo de Palmela, decidiu pousar para descansar. A vista da muralha agradava-lhe e até petiscou uns restos de bolacha que algum turista ali deixara.
Com sobressalto, viu dois homens saírem de um carro e dirigirem-se para dentro da pousada, quem serão aqueles dois homens, tão suspeitos? Questionou-se.
Voou até à porta da pousada e entrou lá dentro, o sítio era bonito e, embora tenha arriscado um pouco, viu que no interior havia um átrio aberto com saída para o céu. Mais descansado, ficou num arbusto a espiar os homens: um puxou dum charuto, acendeu-o, dando duas baforadas, enquanto o outro: sacudiu o fumo que lhe foi parar à cara e tossiu, depois pediram dois whiskys e por ali ficaram a conversar. Só aí o pardal se questionou porque razão achara aqueles dois homens suspeitos, e suspeitos de quê? Não sabia!… No entanto, não conseguia deixá-los “fora de vista” nem por um instante.
Os humanos conversaram imenso tempo, mas não fazia mal, ele tinha todo o tempo do mundo. Sem compromissos com ninguém – exceptuando aquele compromisso com ele próprio de seguir cada passo daqueles dois homens tão suspeitos – sentia-se feliz por poder estar ali. Quando os homens se levantaram, o pardalinho já estava quase a adormecer, mas assim que notou movimento para as bandas dos “dois homens”, despertou logo. Eles estavam-se a despedir…
De seguida, cada um foi à sua vida para sítios que o pardal não pôde entrar.
Por vezes, todos nós fazemos “filmes” apenas para dar algum sentido à vida.
1 Comentário
Setembro 21, 2006 ás 8:33 pm
mas diga-se que despediçando as energias…bem pensado!