Ao tentar alcançar uma bola de novelo, que estava entalada por debaixo do sofá, o Tareco esforçava-se em manter a calma – os gatos são especialistas em Zen, no entanto, este não tinha muito anseio pela espiritualidade – ao fim de algum tempo, perdeu a cabeça e, stressado, arranhou a napa do sofá. Levando uma valente vassourada da dona.
O Pantufas, o seu parceiro gato, esperou que o ambiente serenasse, depois disse-lhe: se queres tirar o novelo debaixo do sofá, deves aprender a arte do Zen*. Dito isto, fez uma demonstração:
Pondo-se a miar e olhando o novelo. Chamou a atenção da dona que, ouvindo-o, alcançou a bolinha. Agradecido, o Pantufas retribuiu a gentileza com um belo ”roçar as pernas da dona” e, no final, ainda ganhou uma tablete “whiskas”.
A partir deste episódio, o Tareco decidiu dedicar-se mais à prática do zen, recebendo instruções do parceiro.
«O Zen é uma arte que ajuda a viver» diz o Pantufas.
* Se é que o Zen possa ser chamado de arte…
7 Comentários
Agosto 4, 2006 ás 10:00 pm
Tudo tem a sua arte… Podemos definir o Zen como a arte das coisas simples?
Agosto 4, 2006 ás 11:37 pm
O Zen, talvez seja uma arte (se é que possa ser chamado de arte) que transcende as coisas simples e as coisas complicadas… Zen não tem rótulos, simplesmente, porque Zen não tem limites que possam ser acondicionados dentro de fronteiras e, por isso, dentro de ideologias.
Não se aprisiona o Zen, ele é infinito, impossível de agarrar porque, simplesmente, não há nada para agarrar…
Para mim a palavra que melhor aponta a direcção do Zen é «nada», uma total inexistência de fronteiras – as quais são apenas ilusões geradas pela nossa mente criativa.
Agosto 5, 2006 ás 7:05 am
podia chamar-se a arte de bem fazer. Acho que o nada não nos impulsiona, logo nos torna amorfos…
Gostei da história dos gatos para entendiemnto do pretendido.
Gosto muito de gatos, talvez por isso!
bfs
Agosto 5, 2006 ás 11:30 am
Nuno,
Como estou feliz em ver vc começando por aqui a divulgar sua sabedoria. Começando, sim, pois há anos q falo com vc p escrever livros!
Vc é um escritor nato! Um poeta encantador! Um filósofo erudito! Amo ler o q escreves! Fico absorta, envolvida… Vc tem a capacidade de conduzir as pessoas à leveza da vida…em vida. Raros são os escritores q têm esse dom!
Amo vc, amigo portuga! Hoje conheci seu blog. Lerei diariamente, divulgarei aqui no Brasil. Quero espalhar sua luz, q mesmo vc pensando q são”montinho”, um segundo delas ilumina um ser!
Um grande abraço de sua eterna amiga brazuca!!!
Agosto 5, 2006 ás 6:30 pm
e este post já anda pelos tops da wordpress! parabéns!
Agosto 6, 2006 ás 3:49 pm
tudo é possível depois do “pantufas” virar gato.Parabens pela tua admiradora brasuca. Um abraço.
Agosto 22, 2006 ás 1:25 pm
a maior fronteira e limitação somos nós. Eis o grande problema do zen, esse sobrevivente de milhões e milhões de anos, triliões … que precisa do nada para sobreviver e, coitado, sofre em samsara para coexixtir com estes humanos, “cadaveres adiados ….” (F. Pessoa)..