I
Um pequeno leão brincava com uma lagartixa, quando ouviu um tiro ressoar na planície árida onde morava. Era tempo de partir à descoberta do mundo, porque tinha chegado a altura de despedir-se do que conhecia e aventurar-se para lá da encosta do “Lobato”, donde viera o tiro.
Olhou para trás, acenou à mãe que, chorosa, o fez prometer: honrar, em todas as situações, a raça e a sua esplêndida linhagem.
O pequeno leãozinho prometeu tudo o que a sua mãe quis, e abalou de rabo alçado em direcção ao vale do “tiro”.
Pelo caminho, surgiram-lhe alguns percalços que teve de aprender, rapidamente, a superar, para assim honrar a “linhagem” e manter a cabeça erguida. Conseguiu numa semana e meia chegar ao vale, onde “tiros se ouviam”, e por ali ficou.
Naquele vale desocupado, o leãozinho inspirava fundo: todo aquele território agora era seu! E que lindos hectares do mais belo solo “vermelho”… Com imensas lagartixas e importantíssimo: poucas moscas! Sim senhor: escolhera bem!
Mas, de vez em quando, vinha-lhe à ideia: porque razão aquele magnifico território estava desocupado!? Nunca por ali vira um familiar seu, e: “quando a fartura é muita, o pobre desconfia”, ouvira uma hiena dizer …
II
Um condor, aproveitando as correntes de ar quente, voava por ali… Quando lhe pareceu ver um pequeno leão, ficou estupefacto: – não pode ser! – disse – Um leão no território excluído!?
Mas era verdade; por ali, o pequeno leãozinho corria displicente atrás de uma lagartixa. O condor baixou altitude e sobrevoando-o gritou:
Que fazes aqui… Este é “território excluído”? Vai-te embora, corres grande perigo!
Desconcentrou-se o pequeno leão e a lagartixa fugiu-lhe. Fez logo cara de mau e olhou com precaução o condor: «Que quererá ele dizer com isto?» pensou. Mas o condor já ia longe e não voltou…
Nessa noite, o leãozinho sonhou com lagartixas gigantes que queriam come-lo… Acordou cedo e agitado. Tinha que pesquisar sobre o “território excluído”!
(continua)
2 Comentários
Julho 6, 2006 ás 5:50 pm
Bonita história, fico à espera da continuação… Aliás, ainda estou à espera da continuação de uma outra lá mais pra trás eheheh Gostei do pormenor de “poucas moscas”
Julho 7, 2006 ás 8:49 pm
fica a promessa de mais. Acho esta história muito interessante pois que a acho uma metáfora muito bem escolhida.